domingo, 20 de janeiro de 2013

A Arte de Ouvir



Por Robert J. Tamasy


Alguém – colega de trabalho, membro da família ou um professor – já lhe fez algum dia esta pergunta: “Você está ouvindo?” Existem muitas razões (desculpas) para não ouvir. Estamos cansados ou distraídos com outras preocupações. Ou simplesmente não estamos interessados no que a outra pessoa está dizendo, e então, nós a “desligamos”. Certa ocasião minha esposa me fez essa mesma pergunta e lhe respondi: “Sim, eu a escutei”, mas a verdade é que, embora a tivesse escutado, eu não a estava ouvindo.

Existe diferença entre escutar – ato de reconhecer o fenômeno físico das ondas de som colidindo com o tímpano – e ouvir. A menos que seja portador de deficiência auditiva, não pode evitar escutar sons. Ouvir, entretanto, é outra coisa. É o ato consciente de não apenas receber ondas sonoras, mas também interpretar os impulsos nervosos enviados ao cérebro. Ou seja, escutar é a resposta involuntária aos ruídos; ouvir é a atividade voluntária, que pode ser considerada também, ato de gentileza e respeito.

Por exemplo, um colega de trabalho reclama ou lhe conta sobre alguma circunstância que lhe está causando sofrimento pessoal e você está ocupadíssimo com um projeto. Porém se tiver algum cuidado com essa pessoa, vai escolher não apenas escutar, mas também ouvir, ainda que por um curto período de tempo. O mesmo se aplica a situações em casa, quando o cônjuge ou os filhos querem conversar sobre alguma coisa que consideram importante.

Você apenas “escuta” o que foi dito e, na verdade, os ignora e se concentra em outros assuntos? Ou coloca tais assuntos de lado, o tempo suficiente para ouvir verdadeiramente, pensar sobre o que está sendo apresentado e responder de forma apropriada?

Ouvimos falar muito sobre a importância da comunicação no ambiente de trabalho, escrevemos e lemos memorandos, e-mails e relatórios, observamos regras sociais em relação aos recados deixados na secretária eletrônica e fazemos apresentações eficientes. Contudo, raramente gastamos tempo com o que chamamos de “a bondosa arte de ouvir”. O livro de Provérbios oferece valiosa compreensão:
. Ouvir capacita a chegar ao “xis do problema”. Geralmente os problemas que surgem no trabalho são sintomas - a ponta do "iceberg”. Resolvê-los requer que se veja “a história por trás da história”, e não há melhor forma de se chegar lá do que ouvindo. “Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona” (Provérbios 20.5).
. Ouvir ajuda a evitar calamidade. Às vezes sentimos que não existe nada mais importante do que o que temos a dizer. Porém, se gastarmos tempo demais falando e não ouvirmos o suficiente, podemos não escutar avisos urgentes que são emitidos. “Os sábios de coração aceitam mandamentos, mas a boca do insensato o leva à ruína” (Provérbios 10.8).
. Ouvir nos prepara para receber a correção necessária.Todos nós gostamos mais da aprovação do que da correção, mas às vezes, a coisa mais sensível e atenciosa que alguém pode fazer é oferecer uma crítica construtiva, mostrando-nos como agir melhor no futuro. A chave está em esforçarmo-nos para ouvir, sem nos tornarmos defensivos, confiando que o que foi dito visava o nosso bem. “Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a ouvir” (Provérbios 25.12).
. Ouvir nos capacita a responder de forma apropriada.Freqüentemente as pessoas compartilham seus sofrimentos conosco, simplesmente porque desejam saber que há alguém que se importa e também para que lhes assegure que ainda há esperança. Se separarmos tempo para ouvir, podemos ser capazes de responder com palavras adequadas para o momento. “O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima” (Provérbios 12.25).

Sendo assim, da próxima vez que alguém lhe disser alguma coisa, tente fazer mais que simplesmente escutar o que está sendo dito. Tente também ouvir. O que se recebe através dos ouvidos pode nos abrir os olhos!

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