terça-feira, 14 de agosto de 2012

Aprendendo Com Jotão


Juízes 9:7-21, 56,57
7-9 Quando Jotão ouviu isto, pôs-se no cimo do monte Gerizim e gritou para a gente de Siquem: Se pretendem ser abençoados por Deus, escutem-me. Um dia, as árvores decidiram eleger um rei. Primeiro pediram à oliveira, mas ela recusou: 'Haveria eu de deixar de produzir azeite que serve para honrar Deus e abençoar o homem, só para me pôr aí a abanar de um lado para o outro, sobre as outras árvores?
10-11 Seguidamente foram ter com a figueira e fizeram a mesma proposta: Queres governar-nos? Mas também ela recusou: 'Porque razão havia eu de parar de produzir figos doces, apenas para ter a possibilidade de levantar a cabeça acima das outras árvores?'
12 Então foram ter com a videira: 'Vem reger-nos!' E a resposta desta foi também assim:
13 'Não vou parar de produzir vinho, que alegra tanto Deus como os homens, só para ter poder acima das outras!'
14 Então as árvores todas voltaram-se para o espinheiro: 'És tu quem será o nosso rei!'
15 E o espinheiro respondeu: 'Se realmente me querem, venham e submetam-se docilmente sob a minha sombra. Se recusarem, que saia fogo de mim que reduza a cinzas os grandes cedros do Líbano!'
16-20 Portanto agora, vejam bem se agiram correctamente ao fazer de Abimeleque o vosso rei, e se se estão a conduzir honestamente para com Gideão e todos os seus descendentes. Porque o meu pai lutou por vocês e arriscou a sua vida para vos livrar dos midianitas, e apesar disso revoltaram-se contra ele e mataram-lhe os setenta filhos sobre uma rocha, acabando por escolher para rei o filho da sua escrava, Abimeleque, apenas porque é vosso parente. Se têm a certeza de ter feito o que é justo para com Gideão e os seus descendentes, então que tenham, tanto vocês como Abimeleque, uma longa vida, felizes todos juntos. Mas caso contrário, se a vossa conduta não foi a que deveria ter sido para com Gideão, então que saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquem e de Bete-Milo. E que saia fogo destes cidadãos e consumam Abimeleque!
21 Jotão fugiu e passou a viver em Beer, com receio do seu irmão Abimeleque.
56-57 Assim Deus castigou tanto Abimeleque como os habitantes de Siquem por causa do assassínio dos filhos de Gideão, que eram setenta. Desse forma se cumpriu a maldição de Jotão, o filho de Gideão.

O que está acontecendo aqui?
Logo após Gideão vencer os medianitas, ele foi interpelado pelo povo para que fosse rei sobre eles, inaugurando uma dinastia Jz 8:22,23.
Porém Gideão rejeitou por completo essa idéia, deixando bem claro que o Senhor dominaria sobre o povo, que o Senhor governaria a nação de Israel.
A terra esteve em paz por quarenta anos, quando então Gideão veio a falecer.
Com a sua morte o povo voltou-se a se prostituir ante os baalins, esquecendo-se de Deus e de  todo o bem que Gideão fez por eles.
No lugar da paz, o descontentamento, a insensatez, a rebeldia a idolatria.
Com toda essa crise, mais do que nunca o desejo de ter um rei que os governasse tomou mais força.
Eles não conseguiam enxergar outra solução.
Não é a toa que o apóstolo Paulo em várias de suas cartas nos exorta a renovarmos o nosso entendimento, a  ocuparmos a nossa mente  com o que é honesto, sadio... para que não fiquemos como se tivéssemos um cabresto, enxergando apenas uma solução, porque não conseguimos olhar para os lados.
Mas, assim estava o povo de Israel, esqueceu-se de Deus, das beneficências de Gideão, e só conseguia enxergar uma solução para os seus problemas, “precisamos de um rei!”
É óbvio que quando a Bíblia diz que o povo voltou-se para outros deuses, nunca o é em sua totalidade, em toda a história, há e sempre existirá, um remanescente, um grupo que busca fazer a vontade de Deus incondicionalmente, não abrindo mão do seu chamado e vocação.
Não consigo enxergar Jotão questionando a oliveira, a figueira e a videira por suas escolhas, por não abrirem mão daquilo que elas tinham como primazia e inegociável, mas, sim, as árvores e o espinheiro por se deixarem levar por suas ambições em conseguirem o que queriam a qualquer custo.
É como querer a solução de um problema, fazendo aquilo que tem que ser feito, orar, ler a Palavra de Deus, estar na igreja, mas, o coração já está decidido a fazer o quer, caso a resposta não chegue no tempo determinado ou ocorra do jeito que se espera.
Quem eram as ávores? Todo aquele que não aceitava a idéia de não ser como os outros povos que tinham um rei sobre eles, olhando apenas os seus interesses e se aliançou com o espinheiro, no caso o povo de Siquem e Bete-Milo.
Quem era o espinheiro? Abimeleque, cruel, sagaz e opressor, sedento pelo poder.
A  maldição recaiu exatamente sobre estes.
Somos bombardeados todos os dias com oportunidades, propostas, escolhas e decisões que temos que tomar para alcançarmos nossos objetivos, para realizarmos nossos sonhos.
Talvez nunca cheguemos a atrocidade deles, mas, quantos de nós, sem julgar a quem quer que seja, sem questionar a decisão de qualquer pessoa que esteja lendo isto, já não abriu mão de um relacionamento, de um ótimo emprego, de uma vocação... porque cansou de esperar, ou porque se deixou pressionar por falsas verdades, ou porque se deixou ser levado pelos sentimentos de solidão, injustiça e ingratidão, ou simplesmente quis unir o útil ao agradável.
Até que ponto estamos dispostos a abrir mão de nossos desejos, para confiar inteiramente na direção que vem de Deus?
Que motivações reais estão em nosso coração, quando aceitamos determinadas oportunidades e propostas?
Onde está a vontade de Deus em nossas escolhas e decisões?


"Confia no Senhor e nunca em ti mesmo. Em tudo o que fizeres põe Deus em primeiro, e ele te dirigirá nos teus caminhos. Prov. 3:5,6

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